Destaque Low Carbon Brazil


Picture: Embrapa

Utilizando irrigação por pivô central, no lugar de condições de inundação para o arroz, o novo sistema de rotação de arroz com milho e trigo, poderá melhorar a qualidade do produto e manter o rendimento tornando até mais lucrativo com as outras culturas.

A equipe do Low Carbon Brazil conversou com Marco Foschini, Vice Presidente da Area Europa e membro do Conselho da Câmara de Comércio Italiana de Florianópolis , e com Juan Jorge, gerente Geral da GND Brasil para entender mais sobre a técnica, objetivos e expectativas deste projeto.

1. A Area Europa forneceu muitas consultorias em projetos de baixo carbono em outros mercados, como o Brasil? Marco Foschini: A Area Europa está envolvida em vários projetos, não apenas na Europa, como sugere o nome da empresa, mas em outros países, mas principalmente com o Brasil.

Além de ser VP da Area Europa, também sou membro do Conselho de Administração da Câmara Italiana de Comércio de Florianópolis, e essa posição facilita as relações com empresas brasileiras. Além disso estamos com boas negociações em Porto Alegre, em particular com a SDECT (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Suzana Kakuta). Um projeto específico de agricultura de precisão já está em operação no Rio Grande do Sul, juntamente com a PGD Engenharia e o engenheiro José C. Gross para uma produção sustentável de arroz.

2. Em relação ao projeto selecionado no Low Carbon Brazil, a técnica de rotação para a produção de arroz com milho e trigo já é usada em quais países?

Marco Foschini: Na Itália e na Europa, a técnica de rotação é utilizada há vários anos, mas para inundação de arroz, o que causa alguns pontos críticos, como o crescimento de ervas daninhas, altas emissões de metano e altos custos de produção. A Itália tem uma superfície elevada no cultivo de arroz - 1º produtor com 50% da produção de arroz da UE em mais de 219.000 hectares de pantação - , portanto, bons resultados neste projeto permitiriam um cultivo de arroz mais sustentável do ponto de vista ambiental e econômico.


Rice Crop in Lombardy, Northern Italy. Picture: Menu Magazine

3. O que você espera desta parceria com a GND firmada com a ajuda do Low Carbon Brazil?

Marco Foschini: É importante validar um método de agricultura sustentável, em particular de rotação arroz-milho-trigo, para permitir uma produção agrícola mais sustentável para os agricultores no Brasil e também na Europa. Essa é a principal expectativa deste projeto com a GND. Além disso, para produzir 1 kg de arroz são necessários 1.700 litros de água (Centro Studi CONAF, 2015), portanto, este setor pode melhorar consistentemente sua pegada ambiental.

4. Quais são as possibilidades de expandir sua tecnologia para outros países além do Brasil? Em quais países?

Marco Foschini: Na América do Sul, uma boa replicação poderia ser feita no Uruguai e em outros países como a Espanha (mais de 100.000 ha), depois Portugal (30.000 ha), Grécia (25.000 ha), Romênia (15.000 ha), França (12.000 ha), Bulgária (12.000 ha) e outros.

5. A GND desenvolve algumas soluções/projetos sustentáveis para diversas áreas (industrial, residencial, varejo, agricultura etc.), como o mercado brasileiro tem se comportado em relação à economia de baixo carbono. Quais áreas têm buscado mais soluções sustentáveis?

Juan Jorge: Existe uma consciência significativa da necessidade em ter medidas sustentáveis nos segmentos em que participamos, e observamos que a maior atividade nesse sentido está nas empresas que tem um vínculo com o consumidor final, como as empresas de varejo. Para soluções sustentáveis, devido a que nosso foco está na agricultura, irrigação indústrias associadas, onde temos foco no Rio Grande do Sul, Uruguai e Mato Grosso.


Foto: Revista Globo Rural

6. Como são realizados os estudos de viabilidade na agricultura? Juan Jorge: Os estudos de viabilidade feitos pela GND se baseiam numa adaptação da metodologia FEL (Front End Loading), muito difundida na indústria de mineração. Aqui realizamos os seguintes passos:
a - Identificação dos sistemas e estruturas de produção de cada região
b - Identificação das prováveis culturas de grão e forrageiras (e pecuária) que combinem num sistema sustentável (ambiental, produtivo e financeiro) adaptáveis aos agricultores e suas agrupações da sub-região em foco.
c- Combinação das culturas (grão e forrageiras – com e sem pastoreio direto) numa rotação que ofereça vantagens do ponto de vista ambiental, produtivo e financeiro
d- Identificação das técnicas e tecnologias produtivas de cada cultura (grão e forrageira) dando prioridade a utilização de ferramentas biológicas e naturais;
e- Avaliação financeira detalhada de cada rubro produtivo em rotação sob um sistema de irrigação comum: determinando custos diversos, identificando preços e rentabilidade

7. No Brasil se usa muito a técnica de inundação para produção de arroz, embora no Tocantins já foi comprovado o aumento em 15% na produção sem ter o solo inundado. Acreditam que essa nova técnica de rotação se adaptará as condições brasileiras? Quais fatores são determinantes? Juan Jorge: Em todos os aspetos das nossas vidas estamos obrigados a buscar formas mais eficientes, que outorguem mais benefícios com menos recursos, e sustentáveis, que permitam o desenvolvimento sem comprometer o futuro da nossa terra e descendestes no longo prazo. Neste sentido existem várias vertentes de melhorias, que não são exclusivos e dependem da geografia, disponibilidade de água e tipos de solos. Nenhum sistema em desenvolvimento hoje conta com uma aplicabilidade universal, seja mediante a sistematização de lavouras de arroz utilizando alta precisão para reduzir quantidade de água necessária e baixando custo ou sistema de irrigação proposto na experiência para doutorado em Tocantins por lâmina ou canais. Apesar disso nas duas alternativas acima mencionadas a eficiência está limitada perto do 70% na irrigação, e não existe a possiblidade de utilizar quimigação e fertigação e obter suas vantagens técnica, financeira e ambientais.

A alternativa que estamos propondo para uma rotação de culturas sustentáveis com irrigação, na qual está incluído o Arroz como cultivo principal, e a utilização da irrigação por aspersão com pivô; vai permitir:
- Reduzir o gasto de água na irrigação (50 % do consumo do arroz com inundação), principal fator no custo de produção
- Diminuir a incidência de infestantes (Capim, A. Vermelho, etc.), doenças (Pyricularia, etc.) e pragas
- Reduzir o uso de agroquímicos
- Incrementar a produtividade do solo
- Reduzir os custos de adubação de cobertura utilizando a mesma equipe de irrigação (fertirrigação) sem aviões pulverizadores.
- Reduzir a emissão de metano (a um 5 -6 % das emissões do Arroz com inundação)
- Maximizar a utilização do equipamento agrícola (durante tudo o ano)
- Diversificar os mercados a abastecer estabilizando a sustentabilidade econômica da empresa

Esta metodologia permite o controle da irrigação que outras metodologias não oferecem, permitindo melhorias subsequentes através de agricultura de precisão, e controle de outros GHG emitidos como consequência da ação de melhorar e deixar secar a terra.

8. Quais seriam as possibilidades de expandir essa tecnologia conjunta em outros países além do Brasil? Quais seriam? Juan Jorge: A tecnologia já está sendo expandida na região. Desde outubro estamos trabalhando junto à Agência de Pesquisa e Inovação do Uruguai (ANII), o instituto de pesquisa agropecuária do Uruguai (INIA) e Embrapa em uma produção piloto no Uruguai. O potencial final deste sistema de produção com arroz poderá ser difundido em várias regiões após ajustes necessários para cada uma dela.

9. Foram os encontros promovidos pelo Low Carbon Brazil determinantes na aproximação com a Area Europa? Como a segunda fase está ajudando na relação comercial entre as empresas de ambos países? Juan Jorge: Os encontros promovidos pelo Low Carbon Brazil forma determinantes para a elaboração de parcerias com empresas tais com Area Europa. A segunda fase traz a oportunidade de aprofundar o vínculo, trabalhando em um projeto concreto.



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