Low Carbon Brazil Highlight

A brasileira Arquiar Engenharia, ao lado iNergy Agtech, empresa europeia de origem romena, estão cooperando na construção de uma fábrica de tijolos a base de fibras vegetais oriundas do coco e caju.

Um projeto único que une inovação e sustentabilidade voltado para engenharia e arquitetura, e que contribui diretamente com protocolo de Kyoto, pois não utiliza combustíveis fósseis, reduz emissão de CO2 e aumenta a eficiência energética em edifícios.

Conheça mais sobre esse grande projeto.


A equipe do Low Carbon Brazil conversou com Hazvan Bera, CEO da iNergy Agtech, para entender mais sobre o projeto, resultados esperados e os impactos em relação a emissão de gases. Confira!

1. No site da iNergy diz que vocês são inspirados pela natureza e fortalecidos pela tecnologia. Como definir a iNergy e o que ela tem feito ao longo dos anos?
A iNergy é mais do que uma empresa, é uma comunidade. Uma comunidade de criativos, geeks de tecnologia, especialistas, empreendedores e acadêmicos que visam melhorar a qualidade de vida, promover e apoiar a inovação e o desenvolvimento sustentável na vida real. Tendo a Pesquisa & Inovação como um processo central, estamos sempre abertos a parceiros acadêmicos e cleantechs que ingressam nos rankings das principais universidades e centros de pesquisas.

Gostamos de seguir o que chamamos de método de inicialização Conscious & LEAN, com diversas soluções sendo lançadas no mercado por meio de startups individuais como por exemplo, a iNERGY EFSIS (5 anos) para Gerenciamento de Energia, Finanças e Consultoria Verde, a iNERGY AGTECH (2 anos) para Desenvolvimento de Tecnologia de Horticultura Híbrida para Agricultura 5.0 e Edifícios Verdes e Cidades, etc.

Nossos projetos vão desde serviços e consultoria B2B & B2G, até design e construção, desenvolvimento de tecnologia e modelo de negócios, gerenciamento de projetos financiados pela União Europeia etc. Uma das nossas startups (iNERGY AGTECH) tem a meta de atingir o mercado da União Europeia até 2020 e já está ganhando força e se tornando conhecida internacionalmente (Nature Accelerator, Fledge Investments, COP24, etc).

2. Vocês foram selecionados para participar da COP24. Como foi a experiência e o que se absorveu da Conferência?

A COP24 e o Fórum de Inovação Sustentável nos permitiram mostrar algumas das tecnologias verdes em desenvolvimento pela iNERGY AGTECH para uma audiência internacional especializada, apresentar algumas de nossas propostas de projetos. As imensas oportunidades de networking e conhecimento para uma jovem startup da União Europeia em um evento como esse são incomensuráveis, pois estamos começando a nos relacionar com todo nosso ecossistema. E, levando em conta que o futuro das estratégias globais e da União Europeia para as ações de desenvolvimento público, estaduais e até mesmo a maioria das questões de desenvolvimento e mudança climática discutidas ou acordadas na COP24, estamos posicionados de forma única para prever as evoluções de forma eficiente, oportunidades regulatórias ou restrições, riscos e oportunidades de financiamento para projetos de impacto positivo.

Juntamente com a série de eventos, missões econômicas e estratégias, aguardamos com expectativa as inúmeras oportunidades de projetos estabelecidas, tanto na Romênia, quanto em toda União Europeia.

3. Falando sobre internacionalização, antes do Low Carbon Brazil, vocês já fizeram algum tipo de projeto com o nosso país? Como enxerga essa iniciativa da União Europeia?

Antes de participar da ação Low Carbon Brazil, apoiada pela União Europeia, não tivemos nenhuma experiência comercial anterior com o Brasil, exceto turismo e estudos sociais e culturais. No entanto, essas iniciativas são muito bem-vindas, pois vemos a cooperação e a colaboração como a raiz do desenvolvimento sustentável e do impacto positivo. As pontes estabelecidas irão garantir o crescimento verde e sua prosperidade. Efeitos de bola de neve são óbvios no campo da sustentabilidade, reduzindo a pegada de CO2, melhorando a qualidade de vida e as oportunidades de crescimento que são boas tanto para a economia quanto para a ecologia.



4. Sobre a fábrica de tijolos com base de fibras vegetais, você tem trabalhado com fibras vegetais há algum tempo? Como soube da qualidade do caju e coco para fabricação de tijolos?

Nossa primeira experiência com fibras vegetais remete à infância, na Romênia, pois o material tradicional de construção para a maioria dos edifícios rurais inclui essas fibras em diferentes estágios. Somos apaixonados por edifícios ecológicos e eficiência energética, e os projetos em design e arquitetura em 2008 e 2009 nos permitiram aprimorar nosso conhecimento, experiência prática e habilidades relacionadas a materiais de construção ecológicos. Com vários projetos voltados aos prédios ecológicos e serviços ecossistêmicos, pudemos ver as qualidades do material aumentando e incorporando várias outras inovações. Nosso processo e sistema de inovação nos permitem otimizar e aumentar o valor da inovação, reduzindo custos e aumentando a acessibilidade e adaptabilidade.

Em relação a qualidade e a possibilidade de usar fibras locais, como caju ou coco, surgiram nas discussões realizadas com Ricardo Gonzalez, da Arquiar Engenharia, e sua experiência neste campo. Além disso, com experiência e dados relevantes do mercado sul-americano e brasileiro, descobrimos que as propriedades de um material de construção com baixo CO2 são extremamente benéficas para as especificações e requisitos de construção da região, indicando inclusive um mercado lucrativo.



5. Como é o processo de fabricação desses tijolos e a aplicação de mercado?

A produção do material de construção incorporando fibras vegetais é um método antigo, e empregado em vários lugares do mundo de diferentes maneiras. Dentro de nossos estudos e projetos profissionais, nos deparamos com os benefícios do cânhamo (material de madeira bruta) quando usado em tal aplicação. Além disso, a história de tais experimentos revelou que a receita de cânhamo é um dos isolamentos térmicos mais eficientes disponíveis, quando comparado ao material industrial.

Normalmente, há várias etapas cruciais na produção de tijolos de fibra vegetal, sendo o cânhamo industrial um dos processos com menor teor de carbono, devido à captura de CO2 tanto no ciclo de vida do crescimento, quanto no processo de “cura”.

O processo de produção pode ser de baixo custo, adequado a economia familiar ou, o que propomos e almejamos, ter uma sinergia de mão de obra qualificada, automação e agilização de produção visando garantir o nível de qualidade e quantidade que faz da produção um empreendimento comercial viável. Com a inovação sendo parte fundamental do projeto do fluxo de produção, usaremos os sistemas mais atuais para criar um método de produção adaptável e eficiente. Além disso, a capacidade de projetar e implementar com sucesso, em parceria com a Arquiar, uma unidade de produção de tijolos vegetais simplificada, projetada para as necessidades e especificidades do Brasil, permitirá futuras oportunidades de expansão em toda a América do Sul.

6. Quais as vantagens em se utilizar tijolos de fibras vegetais?

O material de construção de baixo carbono que incorpora fibras vegetais, especialmente em nossa receita patenteada, permite um maior coeficiente de isolamento térmico e acústico, enquanto ajuda a manter a umidade, repele fungos, pragas e até mesmo fungos, em comparação com outras soluções. Tudo isso enquanto captura CO² como parte do processo de cura, e garante uma resistência estrutural de até 7 vezes a do concreto.

Além disso, basicamente permite que a parede (e o prédio) respirem. Isso não só garante a condição "passiva" da casa ou do prédio, mas também amplifica a transferência de ar e captura de material particulado e VOCs (Compostos Orgânicos Voláteis), contribuindo para um ar mais seguro, limpo e saudável. Você sabe que, na maioria das vezes, o ar em nossos edifícios é 9 vezes mais poluído do que o ar lá fora?

Do ponto de vista industrial, também existem enormes vantagens competitivas, especialmente aos que apreciam uma maior qualidade e padrão de vida. O custo de produção do material de construção com nosso design é baixo, porém, ele está posicionado na faixa premium do ponto de vista da qualidade. Além disso, um método de produção adaptável e acessível permitirá a flexibilidade da forma final e das especificações, se adequando a diferentes mercados e necessidades dos consumidores.

7. É verdade que a durabilidade e qualidade desses tijolos são melhores? (resistente a cupim, a chuva e mais duro do que o tijolo comum)

Comparado a tijolos normais, ABSOLUTAMENTE maior. Ele embala mais benefícios, com peso e custo menores. Dizer que ele resiste a todos os tipos de pragas é um exagero, pois tenho certeza de que nada pode vencer a mãe natureza, mas é por isso que vamos testar antes de introduzir em um novo ambiente, com outras ameaças. Como mencionei, a adaptabilidade do fluxo de produção, juntamente com nossa experiência na integração de inovações sustentáveis e de inspiração local, permitirá que o produto ultrapasse quaisquer novos desafios.

8. Para quais tipos de construções é indicado?

O material de construção em si pode ser usado em qualquer tipo de construção, levando em consideração especificações, adaptações da receita e método. Eles podem ser usados em construções tradicionais, bem como industrial, engenharia civil e até mesmo moderna. Para se ter uma ideia, blocos residenciais de apartamentos com 7 andares foram construídos na Alemanha. Na França, o pilar de uma ponte que data do século VII feito com o material ainda está em pé. Empresas de construção e municípios em toda a Europa estão começando a adotar o material como retrofit para eficiência energética. Com os avanços da ciência em domínios diretos e indiretos, as possibilidades serão virtualmente infinitas.



9. Quais os impactos favoráveis em relação à redução das emissões de gases/outros indicadores sustentáveis (economia de água, energia, resíduos etc...?

Sabe-se que a construção civil consome cerca de 40% da energia 25% da água e 40% dos recursos globais (Programa Ambiental da ONU, 2016). Este consumo pode ser drasticamente reduzido com a substituição de agregados minerais por agregados vegetais. Esta medição não só bloqueia o dióxido de carbono no interior do edifício, mas também reduz a energia operacional, e ar condicionado, o que torna o concreto isolante de cânhamo extremamente interessante para combater as mudanças climáticas.

10. O projeto espera gerar emprego direto ou indireto no Brasil? Que estimação podem nos adiantar?

Estima-se que o projeto crie empregos diretos e indiretos no Brasil, sob a gerência da Arquiar. Com uma única fábrica, dependendo das camadas de automação e da quantidade de pedidos, esperamos gerar no mínimo de 20 e um máximo de até 100 postos de trabalho nos primeiros anos.

11. Por último, o Low Carbon Brazil procura gerar impacto de investimento no Brasil, seu projeto está alinhado com esta ideia?

Certamente. Com o centro de fábrica e de distribuição sendo construído pela Arquiar no Brasil, e com nosso firme compromisso de reunir investimento para a ampliação e multiplicação do que vemos como um novo pilar de crescimento para a indústria da construção brasileira: um pilar de crescimento verde integral. Estamos mais do que convencidos de que o investimento não irá se restringir apenas nesta ação inicial da Comissão Europeia, mas também será impactante e positivo, tanto para a economia como para a ecologia do Brasil.



Programas de parceiros da UE