DESTAQUE LOW CARBON

A proposta do projeto de destaque tem como principal objetivo oferecer um lubrificante eficiente, que irá reduzir danos ao motor, aumentar o rendimento do combustível e diminuir, ainda mais, a emissão de gases.

A equipe do Low Carbon Brazil conversou com Péricles Pinheiro Filho, da CHP Brasil, empresa do Rio de Janeiro, especializada em soluções de eficiência energética de biogás e de cogeração, que agora entra em uma nova linha de negócios. E com Luís Pereira, da Nanol Technologies, empresa que nasceu na Finlândia e é pioneira no uso da nanoteclogia para criação de lubrificantes que reduzem o consumo de combustível e óleo, bem como prolongam a vida útil dos componentes principais do motor e da máquina.




O desenvolvimento do lubrificante Nanol® na fábrica da CHP será mais um passo do Brasil rumo à geração de eficiência energética e à redução das emissões nocivas ao meio ambiente. Confira a seguir a entrevista.

1. Explique como surgiu a parceria com a CHP Brasil e qual a importância do Low Carbon Brazil nesse processo?

Luís Pereira/Nanol Technologies: Essa parceria surgiu a partir de estudos e testes realizados na CENPES (Centro de Pesquisas da Petrobras) com óleos minerais da Petrobras e com o aditivo Nanol. Na ocasião, os testes de performance do aditivo foram realizados em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a CENPES, obtendo-se resultados muito positivos. A Nanol Technologies foi apresentada à CHP Brasil em um dos eventos do Low Carbon Brazil. Na ocasião, um teste com o aditivo em motores a gás foi proposto com a finalidade de desenvolver e ampliar a área de atuação do produto em outras aplicações, pois naquele momento estava sendo utilizado em motores médios 4 tempos (de embarcações) movidos a diesel e/ou a óleo cru.

2. Como se deu o desenvolvimento do lubrificante da NANOL TECHNOLOGIES? Qual foi a demanda apresentada (sustentabilidade, eficiência, durabilidade)?

Luís Pereira/Nanol Technologies: A Nanol desenvolveu um novo aditivo de óleo lubrificante patenteado com nanotecnologia para diminuir o atrito e o desgaste nos equipamentos. O aditivo de óleo lubrificante utiliza inovação da nanotecnologia que proporciona redução da fricção, fazendo com que o motor tenha um desempenho mais eficiente, pois preserva as peças do contato constante das engrenagens. O desenvolvimento deste lubrificante é um processo lento, uma vez que exige uma série de testes em condições controladas e repetições.

Por seu um aditivo, o produto da Nanol Technologies também faz incursões no mercado de óleo e de graxa lubrificante, com uma variedade de aplicações que permitem uma economia de custos significativa para os clientes.

Inúmeros testes de laboratórios mostraram resultados positivos na redução do desgaste em até 20% e performance superior quando o aditivo nanol esteve presente.

As companhias de navegação descobriram que o consumo de combustível nos motores testados com Nanol® foi reduzido de 3-5%, em média. Além disso, as análises dos óleos usados mostraram níveis mais baixos de metais de desgaste no óleo. Constatou-se, também, que os intervalos de manutenção poderão ser prorrogados e as inspeções de motores posteriores demonstraram limpeza superior do motor em relação à condição geral.

O aditivo lubrificante Nanol® autônomo é usado atualmente em mais de 30 motores diesel marítimos.

3. Qual foi o processo de desenvolvimento até chegar a um lubrificante mais eficiente, sustentável e com vida útil maior?

Luís Pereira/Nanol Technologies: A implementação deste projeto com o Low Carbon Brazil ainda está sendo concluída. O aditivo Nanol já foi testado em uma grande variedade de tipos e marcas de óleos para aplicações de motores médio a diesel e óleo cru. E foi detectado uma alta sinergia com os lubrificantes que já estão disponíveis no mercado. Isso significa que a marca de lubrificantes disponíveis poderia ser facilmente incorporada ao projeto, ser facilmente testada e, posteriormente, ser utilizada. Entretanto, a necessidade da realização de um teste de campo com motores a gás é justificada porque a Nanol Technologies não tem experiência com este tipo de aplicação. Por esta razão, o teste é muito importante para aprender sobre o desempenho do motor, regime de lubrificação e outros parâmetros como economia de combustível e emissões. Além disso, o teste de campo encontrará a condição natural para o lubrificante que entra no motor. Os resultados obtidos serão exatamente iguais ao que será obtido em condições reais.

Neste caso, o processo pode ser simplificado utilizando os seguintes passos principais:

• Obter informações detalhadas sobre a aplicação do lubrificante;
• Definir as necessidades específicas de desempenho;
• Obter detalhes sobre os requisitos de teste;
• Avaliar o potencial de mercado e metas de custo;
• Desenvolver as formulações de aditivos e lubrificantes;
• Realizar testes de bancada, plataforma e motor para demonstrar o desempenho;
• Finalizar a composição dos novos produtos lubrificantes;
• Testar o desempenho: confirmar os testes na bancada do laboratório, equipamento e motores;
• Testar em campo: em grandes motores industriais utilizados em usinas de energia.

4. O produto já foi testado fora da Europa? Quais os resultados apresentados nos testes com os motores?

Luís Pereira/Nanol Technologies: Sim. Em Bangladesh, com a empresa Iqra Power Ltda. e a Nanol abriu uma nova frente na “Guerra ao Atrito”. O objetivo é atuar no setor de geração de energia e, também, nos setores automotivo e marítimo.

No Brasil, o aditivo foi estudado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - Brasil. O experimento com óleo mineral básico da Petrobras mostrou que o aditivo Nanol é notável como agente antidesgaste, com redução de até 64% de desgaste. Testes com motores estão em andamento no Brasil.




5. Os estudos que comprovam os benefícios ao meio ambiente já mensuraram o quanto será menos poluente e o quanto irá reduzir em emissão de gases de efeito estufa? Em caso afirmativo, poderia revelar os dados.

Luís Pereira/Nanol Technologies: Uma análise do ciclo de vida para o aditivo Nanol foi realizada na Universidade de Ciências Aplicadas de Turku - Finlândia durante o verão de 2016.

De acordo com os cálculos feitos naquela análise, os benefícios da redução das emissões dos navios foram muito maiores do que o efeito negativo das emissões provenientes do processo de produção do Nanol.

Para as emissões relacionadas ao consumo de diesel do navio, apenas os efeitos da queima do diesel foram levados em consideração. Se todo o ciclo de vida do diesel fosse levado em consideração (como perfuração e refino de petróleo), os benefícios do Nanol se tornariam ainda mais proeminentes.

O impacto ambiental anual total do Nanol, quando usado em um navio como no exemplo, seria a redução das emissões do navio, menos as emissões provenientes do processo de produção da quantidade de Nanol usada anualmente, o equivalente a uma redução de 390 – 977 toneladas de CO².

6. Quais são os maiores desafios com relação à regulamentação, subsídios, financiamento ou outros, existentes no Brasil para este tipo de produto?

Luís Pereira/Nanol Technologies: Entre os maiores desafios deste projeto estão:

- O tempo de entrada do produto no mercado;
- O custo de venda é muito alto no Brasil porque uma nova empresa gastará muito para demonstrar a eficiência do produto e, na maioria dos casos, o retorno leva tempo, principalmente para produtos com resultados de médio / longo prazos;
- Os investimentos nessa área têm que passar por uma competição e, na maioria dos casos, elas são difíceis.

7. A CHP Brasil é uma empresa que tem o objetivo de oferecer soluções em geração distribuída (GD) a gás visando a economia de energia, aumento da eficiência energética e geração contínua. Como se deu o interesse em participar de um projeto do Low Carbon Brazil com a NANOL TECHNOLOGIES que desenvolve lubrificantes?

Péricles Pinheiro/CHP Brasil: O interesse maior se deu pelo fato de a lubrificação ser um ponto crítico para os geradores a gás natural e biogás, pois tem ligação direta com a eficiência energética, custo com manutenção e vida útil do equipamento, que são objetivos de extrema importância para o cliente final e para a CHP BRASIL.

Já pensávamos em desenvolver algo nesse sentido, tendo em vista o contato que a CHP Brasil possui com a BR Distribuidora, mas com o Low Carbon Brazil conseguimos ter a chance de estar próximos a algo novo no mercado brasileiro.

8. De que forma a iniciativa facilitou a viabilização do projeto?

Péricles Pinheiro/CHP Brasil: O Low Carbon Brazil foi imprescindível para a evolução do projeto, principalmente na segunda fase do programa. Sem a iniciativa e os recursos praticamente nada teria saído do papel.

9. Em que fase o projeto se encontra?

Péricles Pinheiro/CHP Brasil: O projeto consiste no teste do lubrificante em um gerador movido a biogás que opera 24 horas por 7 dias na semana, com fator de capacidade em torno de 95%, exigindo o máximo do lubrificante. Estamos na última fase do projeto que é o uso do lubrificante com o nano aditivo da NANOL.

10. Quais os diferenciais e vantagens do lubrificante em relação aos existentes no Brasil?

Péricles Pinheiro/CHP Brasil: Em termos práticos, ainda não temos as respostas para esta pergunta, uma vez que os testes ainda estão em andamento; consequentemente, não temos a quantidade de horas de funcionamento e amostras de óleo analisadas. Entretanto, estamos confiantes de que iremos superar a eficiência energética elétrica de 42%.




11. Qual são os principais desafios que estão enfrentando?

Péricles Pinheiro/CHP Brasil: Posso dividir em dois pontos: um é o fator novidade, e com isso a ausência de dados. Não existe uma norma ou padrão brasileiro para avaliação de desempenho de lubrificantes utilizados em geradores de energia a biogás, ou seja, é uma iniciativa sem precedentes. O segundo ponto é o financeiro, pois em meio a uma crise econômica que afetou a todos, a disponibilidade de recursos para desenvolvimento é escassa e de difícil obtenção.

12. O preço deste lubrificante será superior aos que já se produzem no Brasil?

Péricles Pinheiro/CHP Brasil: Provavelmente sim, principalmente durante os primeiros 5 anos necessários para a abertura de mercado e com baixa escala de produção.

13. No acaso afirmativo, como convencer as empresas que ele pode ser mais vantajoso do ponto de vista comercial e para o meio ambiente?

Péricles Pinheiro/CHP Brasil: Pelo ponto de vista ambiental, considero que está melhorando, em termos de conscientização, mas ainda é um grande desafio cultural. Na parte comercial/financeira, o argumento é simples: a cada Real investido em lubrificante de alta performance, você recupera o custo em 4 meses. Ou seja, uma taxa de retorno de 25% ao mês. Portanto, não existe um investimento mais rápido e seguro do que a lubrificação de alta performance.

14. Segundo último boletim do Ministério de Minas e Energia, o Brasil produz 81,4 milhões m³ de gás natural. Que condições precisa o Brasil para fomentar uma maior utilização dos geradores de energia elétrica movidos a gás natural?

Péricles Pinheiro/CHP Brasil: Com a introdução de fontes de energia intermitentes, eólica e solar, a matriz elétrica brasileira está perdendo seu fator de capacidade e sua operação está se tornando muito complexa. Como não podemos controlar o vento e as irradiações solares, para que a segurança energética volte aos patamares dos anos 70 do século passado, o sistema elétrico brasileiro, necessariamente, terá que ampliar o seu parque de termelétricas de despacho rápido com armazenamento de combustível sustentável. Descartando o diesel, teremos o gás natural em plantas térmicas de cogeração ou o biogás como fonte de energia mais sustentável do que todas as outras.



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