Destaque Low Carbon Brazil

Um dos projetos que iremos destacar envolve uma tecnologia francesa na prevenção de riscos de incêndios florestais. A empresa Aria Technologies é especialista em sistemas de informação e monitoramento via satélite e pretende trazer ao Brasil, a solução que já é usada em muitos países europeus, principalmente por Portugal e Espanha. O projeto piloto será em Santa Catarina, com os associados da Associação Catarinense de Empresas Florestais (ACR) e irá reduzir o impacto de incêndios florestais as emissões de GEE decorrentes de queimadas.

O sistema que será utilizado é o ARIA FIRESC que integra dois módulos de previsão: Risco e Propagação.

Saiba mais sobre a tecnologia e o projeto a seguir, em uma entrevista com Samya Pinheiro, da Aria Technologies do Brasil.

Entrevista: Samya de Lara Pinheiro, Meteorologista e Gerente de Projeto da ARIA Tecnologies do Brasil

1. Como a ARIA atua e quando chegou ao Brasil?

A ARIA nasceu em 1990, na França, para se dedicar ao estudo do ambiente atmosférico, em relação aos poluentes e qualidade do ar. Com o passar dos anos, a equipe de especialistas ampliou sua atuação para modelagem ambiental como um todo. Foi quando em 2005, a matriz francesa começou a investir no desenvolvimento de sistemas de suporte ao combate a queimadas, tanto no aspecto da busca de soluções de modelagem para este fenómeno a curto prazo ou ainda de planejamento e prevenção. Ainda que num contexto de Pesquisa e Desenvolvimento, e com apoio da plataforma europeia OASIS, que oferece ferramentas para o setor de seguros na prevenção de riscos, a área foi se desenvolvendo até chegar ao mercado por volta de 2014. Aqui no Brasil chegamos em 2010, também focados no estudo do ambiente atmosférico, e em particular a simulação numérica da dispersão de poluentes atmosférico nos âmbitos industriais, riscos e acidentes, e área urbana. Hoje, na temática de risco de queimadas identificamos uma demanda crescente, incluindo de instituições governamentais, com foco em proteção a áreas de preservação. Já estamos em conversa com o Estado do Ceará. Na iniciativa privada, o foco se direciona principalmente para a proteção de áreas plantadas.

2. Conte um pouco sobre o projeto com a Associação Catarinense de Empresas Florestais?

A ARIA do Brasil já tinha uma interface com o mercado de papel e celulose, inclusive em 2012 já tínhamos feito um piloto com uma empresa do Paraná, para avaliar cenários de queimada em áreas plantadas de eucalipto. Foi então que, por meio dos machtmakings da Low Carbon Brazil, encontramos a Associação Catarinense de Empresas Florestais. O curioso é que quando pensamos em apresentar soluções para a região de Santa Catarina, a opção de combate a queimadas era coadjuvante, e graças a essa aproximação foi possível pautar a questão como protagonista. Quando falamos em plantação de Pinus e Eucalipto, o impacto de uma queimada é muito relevante economicamente. O que iremos desenvolver é baseado em um sistema de modelagem, que trabalha com conceitos de cenários. O operacional, que a partir da indentificação do foco, processa a propagação da queimada e a auxilia a instituição no combate ao fogo, e o de planejamento, que envolve uma abordagem de estratégias de manejo de vegetação, para minimizar o risco e evitar que o fogo atinja determinada área. Todos os módulos rodam baseados em modelos consolidados em diversos experimentos conduzidos por diversos pesquisadores de todo o mundo.

3. Essa tecnologia de prevenção a incêndios já é usada em quais países?

Sim e muito. Principalmente quando falamos em Portugal, Espanha, Estados Unidos e Austrália. Aliás, o berço da tecnologia que utilizamos hoje em nossos projetos vem dos Estados Unidos, pelo histórico em queimadas.

4. Portugal tem grandes problemas com queimadas. Estudos já foram feitos da região? É possível falar em algum percentual de redução de queimadas no país?

Em Portugal, a Universidade de Lisboa já executou alguns estudos na última década sobre queimadas baseados nos mesmos modelos que aplicamos em nossos sistemas e soluções. É difícil falar em porcentagem, porque cada contexto é único, tanto devido às condições de cada vegetação e meteorologia local. A Espanha adotou estratégias de manejo de vegetação com base em simulações de propagação de queimadas e, em números absolutos, atingiu o menor patamar de área queimada dos últimos 30 anos em 2016.

5. Hoje, no Brasil, quais são as áreas com mais riscos de queimadas?

Temos uma área identificada que compreende todo o Centro-Oeste e alguns locais no Norte do país. É um eixo de queimadas no Brasil, que prejudica e é um problema para agricultura e pecuária, e também na poluição das cidades. Nestas áreas reforçamos o impacto para o setor elétrico, por conta das linhas de transmissões, que quando atingida pelo fogo, prejudicam a operação do Sistema Nacional.

6. Como enxerga a iniciativa da EU em realizar o projeto Low Carbon Brazil?

É uma oportunidade muito importante que temos junto a Low Carbon Brazil, porque nos aproxima a um mercado que precisa de soluções, que se preocupa com questões de mudanças climáticas. O mercado de agronegócios está se movimentando para se proteger. E algo curioso e enriquecedor, que durante um dos machtmakings encontramos outro novo parceiro para atuar no projeto com a Associação Catarinense, a GeoDesign, empresa da Califórnia que trabalha em soluções com base em satélites. Eles irão oferecer os dados de entrada para identificação da vegetação local.

7. Vocês estão com outros projetos aprovados pelo Low Carbon Brazil, certo, pode nos contar rapidamente quais são e quais os principais objetivos?

Sim estamos. Um com a Ambidados, do Rio de Janeiro, que envolve um estudo de mercado direcionado ao agronegócio para desenvolver monitoramento ambiental para sistema de irrigação. A ideia é atuar na tomada de decisão para irrigar, pensando também no fator da previsão meteorológica. O estudo também vai dizer quais os parâmetros são essenciais no monitoramento e decisivos, além do impacto no estresse hídrico de cada lavoura.

Nosso outro projeto é com a UniSafe, em Londrina, e trata-se de um estudo de viabilidade para a aplicação para uma previsão climática sazonal, com previsões para 6 meses e 1 ano. Nesse também temos ao nosso lado a CMCC, empresa Italiana, especialista em modelos climáticos, e que irá avaliar a previsibilidade de indicadores meteorológicos relevantes para o agronegócio.



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